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Recentemente, nas redes, ressurgiu um caso que muitos tinham esquecido: a morte de El Pirata de Culiacán. E não é por acaso que voltou às tendências exatamente agora, após toda a onda gerada pela confirmação da morte de Nemesio Oseguera Cervantes há alguns dias. O nome do influencer ficou ligado para sempre a essa história de violência, mas há detalhes que continuam a ser perturbadores.
Juan Luis Lagunas Rosales, conhecido como El Pirata de Culiacán, era um youtuber que explodiu nas redes antes de completar 18 anos. Começou do zero, lavando carros, mas mudou-se para Culiacán aos 15 e começou a postar vídeos de festas, álcool e música regional que se viralizaram rapidamente. Chegou a ter quase 800 mil seguidores no Facebook e mais de 300 mil no Instagram. Artistas como Noel Aragón e El Ninii dedicavam-lhe corridos. Era um fenómeno das redes, mas isso também o expôs.
Em novembro de 2017, El Pirata publicou um vídeo que mudou tudo. Na gravação, soltou uma frase direta contra o líder do CJNG: "Aqui se trata do que for, o que me colocarem, a mim El Mencho me importa uma verga". O vídeo viralizou instantaneamente. Até quem o gravou reagiu com um "já valiu", como se soubesse o que viria depois.
Um mês depois, em 18 de dezembro de 2017, El Pirata de Culiacán foi atacado no bar Menta2 Cantaros em Zapopan, Jalisco. Ele tinha publicado ao vivo horas antes que estaria lá naquela noite. Quando chegou com um grupo de amigos, aproximadamente quatro indivíduos armados entraram e se dirigiram direto à sua mesa. Recebeu pelo menos 15 tiros na cabeça, braços e peito. O dono do bar também ficou ferido e morreu posteriormente.
Ben El Gringo, que estava com El Pirata, descreveu o que aconteceu: "Nos jogamos no chão porque ouvimos tiros. Todos nos jogamos no chão, não vimos o rosto de ninguém, dos suspeitos, nada". Tudo foi muito rápido. El Pirata tentou se proteger atrás do dono do bar, mas foi encurralado em um canto. Hotspanish, outro testemunha, notou algo: "Analisando a situação, vendo que de nós só El Pirata morreu, está mais claro que não queriam nos fazer mal, porque se quisessem, teriam feito".
A pergunta que ficou no ar foi óbvia: foi uma retaliação por insultar o líder do CJNG? As autoridades nunca confirmaram essa hipótese como causa oficial. O procurador de Jalisco na época disse que não se sabia se o vídeo tinha relação com o homicídio, embora estivessem analisando múltiplas linhas de investigação. Segundo relatos, Ricardo Ruiz Velasco, conhecido como El Tripas, um tenente do cartel, teria cobrado vingança. Mas a verdade é que o caso nunca foi completamente encerrado.
O que ficou claro é que El Pirata de Culiacán se tornou um dos casos mais lembrados de violência contra figuras virais no México. Sua história é um lembrete de como, em certos contextos, um vídeo pode ter consequências que vão muito além do que se pode imaginar nas redes.