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Achei interessante esse movimento do Silvio Tini no GPA. O cara virou o segundo maior acionista da varejista, passando a deter 23% da empresa junto com a Bonsucex. Pra ter noção, o Casino tem 22,5%, então Tini já está bem ali na disputa.
O que me chama atenção é o timing. Silvio Tini começou a montar essa posição lá em novembro, e desde então as ações caíram quase 40%. Ou seja, o cara está comprando na queda. E aparentemente é o único grande comprador mesmo – segundo um executivo de mercado que falei, "Tini é o único comprador marginal da ação".
O contexto é meio tenso. O GPA entrou em recuperação extrajudicial essa semana, então a empresa está numa situação delicada. Os credores veem o movimento de Silvio Tini como uma aposta de que a reestruturação vai recuperar o valor. Mas tem um detalhe importante: os credores não querem sair do outro lado do processo de forma simples. Eles estão pensando em aumentar capital ou até converter parte das dívidas em equity pra dividir o ônus com os acionistas.
Um dos credores que conversei foi bem direto: "Não dá para o acionista achar que vai sair limpinho. Não dá para sair melhor do que entrou na RE". Isso mostra que Silvio Tini pode ter uma batalha pela frente. As negociações com os assessores do GPA ainda nem começaram direito, então há muito o que desenrolar por aí.
Tini não é novo nisso não. O cara é conhecido como um dos maiores investidores individuais da bolsa, com participações de longo prazo em empresas como Alpargatas, Bombril e Paranapanema. Essa entrada no GPA segue o mesmo padrão – aposta em valor com horizonte maior. Mas dessa vez o desafio é bem maior.