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A troca de CEO da Disney está a atingir um momento de grande mudança. Com Bob Iger a deixar o cargo no final do ano, parece que o conselho de administração está a levar a sério a escolha de um novo líder.
O processo de sucessão na Disney até agora foi, honestamente, cheio de confusão. Bob Iger prolongou várias vezes o seu mandato, criando uma situação em que os candidatos a sucessor eram colocados na posição de falhar. Apesar de Iger ter saído no final de 2021, apenas um ano depois Bob Chapek foi destituído e Iger voltou a assumir o cargo, numa situação incomum. Desta vez, para evitar repetir o mesmo erro, foi convidado um líder externo de grande peso.
James Gorman, que assumiu a presidência da Disney, foi CEO do Morgan Stanley durante 14 anos e tem um histórico de superar dificuldades após a crise financeira de 2008. A sua prioridade máxima é o processo de sucessão do CEO atual. Gorman não está apenas a escolher uma pessoa, mas a desenvolver um plano de sucessão que considere a estabilidade de toda a organização. Com a sua experiência no Morgan Stanley, liderou um processo de sucessão disciplinado ao longo de vários anos.
Dentro da empresa, quatro executivos estão a disputar a liderança. O mais forte parece ser Josh D'Amaro, responsável pelo departamento Parks, que liderou um plano de expansão de 600 mil milhões de dólares. Ele é um líder carismático com 27 anos na Disney, bastante apoiado na Wall Street. Por outro lado, Dana Walden, chefe do departamento de televisão e streaming, também é uma candidata forte; se for escolhida, será a primeira CEO mulher na história da empresa. O responsável pelo estúdio de cinema, Alan Bergman, e o presidente da ESPN, Jimmy Pitaro, também estão na lista de possíveis candidatos.
No entanto, a missão do novo CEO é bastante exigente. Ele terá de lidar com a monetização da estratégia de streaming, a transição da televisão tradicional, o uso de IA e a tomada de decisões em um contexto de incerteza geopolítica. Além disso, é fundamental maximizar o valor das marcas adquiridas na era de Iger, como Pixar, Marvel e Lucasfilm.
Um aspeto interessante é o destino dos candidatos que não foram escolhidos. Como cada um lidera áreas importantes, a nomeação de um novo CEO pode levar à saída de outros candidatos. No Morgan Stanley, quando um novo CEO é nomeado, os candidatos não selecionados são promovidos a co-presidentes para manter a retenção. O conselho da Disney também está a considerar uma estratégia semelhante.
A divulgação do novo CEO estava prevista, mas a decisão ocorre num momento de grande transformação na indústria. A sucessão de Iger para o próximo líder não é apenas uma mudança de topo, mas uma transição de liderança que deve responder às mudanças estruturais que estão a acontecer na indústria do entretenimento.